Algures
- dê-me um maço de tabaco.
- faça favor.
- ai, este é o da impotência, dê-me antes daqueles que matam.
(não se riam!)
Isto aconteceu. E é por coisas destas que me sinto presa. Uma E.T Presa. E se continuo assim, vou acabar por ficar como eles... (pronto, agora fiquei com medo.)
PS.: Obrigada Sara pela pérola.
- faça favor.
- ai, este é o da impotência, dê-me antes daqueles que matam.
(não se riam!)
Isto aconteceu. E é por coisas destas que me sinto presa. Uma E.T Presa. E se continuo assim, vou acabar por ficar como eles... (pronto, agora fiquei com medo.)
PS.: Obrigada Sara pela pérola.
Às vezes, até a liberdade de pensamento pode ser uma miragem. Devíamos gostar das pessoas quando nos apetece, porque nos apetece, em vez de nos querermos ver livre delas por estarmos presos. Se mantens um pássaro sufocado, na mão, ele não te vai amar, vai tentar encontrar mil e uma maneiras de se libertar. Solta-o e ele amar-te-á se quiser.
Pergunto-me o que as outras pessoas todas estão a fazer... estou farta de querer alcançar multidões e de querer ser especial ao mesmo tempo. Até porque não dá. Ou uma coisa, ou outra. A esta hora da noite, sou só uma vampira vulgar que não se cansa de absorver o que considera o melhor desta vida. Com a merda de um computador a queimar as pernas.
Tenho estado sempre ao lado da janela, a vigiar as pessoas e a vida. Parti-la e azangar para o outro lado implica uma socialização que me assusta. A janela abre-se quando lhe dá na gana. Acreditem, só a corrente de ar deixa-me em pânico. Sabem quando avistam a 100m alguém, alguma coisa que vos deixa a tremer, gelados, paralisados? É esse tipo de pânico. A chama de uma vela pode ser linda, mas vocês não são burros o suficiente para lhe porem as mãos, pois não? Também não posso tocar na vida, na minha ou noutra vida qualquer, por mais bonita que seja e por mais que às vezes eu queira. Deus! Não posso...
Mosquitos
Temo que os meus lençois cor-de-rosinha possam eventualmente ficar de uma outra cor. Uma mais escura...
Lembro-me de uma porta, pequena, num sotão quase sempre abafado, onde só eu entrava sem me curvar. Parecida àquela da Alice. Lembro-me de passar lá muito tempo a refinar a imaginação. Quando se é pequeno em idade, um sotão daqueles pode ser um mundo pararelo. Demorei algum tempo até me despedir desse sotão, e creio que ainda não me despedi totalmente. Mudei de casa aos seis anos e, embora nunca mais tivesse um sotão em casa, tenho um na minha cabeça. O que bem vistas as coisas, é bem melhor assim, sempre posso encurtá-lo e alargá-lo quando quiser.
Não vou mentir, as pessoas para mim só são as bisnagas de cores diferentes que me ajudam a pintar os meus quadros. A maioria retratos. Meus. São acessórios importantes dos quais eu me sirvo só para ter o prazer de ver a minha arte. Às vezes é difícil gostar-se do azul ou do amarelo, quando a beleza fica melhor a preto e branco, mas precisamos de todas as cores. Até do magenta. E eu tenho de me conformar com isso. Não pensem que não dou importância às pessoas! Dou! E muita! Mas de um ponto de vista bonito e egoísta.
Às vezes até consigo confiar nas pessoas, atiro-lhes à cara com emoções e emoçõezinhas e elas atiram de volta a delas, fazemos uma troca justa ou injusta, e depois, somos todos abusados pelo à vontade ou por falta dele. É sempre assim. Nunca há equilíbrio como na natureza perfeita. Muita gente deseja muita coisa, eu gostava de ter equilíbrio. Pelo menos é um desejo que não pode matar. Ou será que mata?
Um dia destes sonhei que tinha um filho. E se não vê as coisas como eu vejo? Pior! E se vir? Não sei se terei um filho, mas se tiver, espero que seja uma espécie de branco.
Não vou mentir, as pessoas para mim só são as bisnagas de cores diferentes que me ajudam a pintar os meus quadros. A maioria retratos. Meus. São acessórios importantes dos quais eu me sirvo só para ter o prazer de ver a minha arte. Às vezes é difícil gostar-se do azul ou do amarelo, quando a beleza fica melhor a preto e branco, mas precisamos de todas as cores. Até do magenta. E eu tenho de me conformar com isso. Não pensem que não dou importância às pessoas! Dou! E muita! Mas de um ponto de vista bonito e egoísta.
Às vezes até consigo confiar nas pessoas, atiro-lhes à cara com emoções e emoçõezinhas e elas atiram de volta a delas, fazemos uma troca justa ou injusta, e depois, somos todos abusados pelo à vontade ou por falta dele. É sempre assim. Nunca há equilíbrio como na natureza perfeita. Muita gente deseja muita coisa, eu gostava de ter equilíbrio. Pelo menos é um desejo que não pode matar. Ou será que mata?
Um dia destes sonhei que tinha um filho. E se não vê as coisas como eu vejo? Pior! E se vir? Não sei se terei um filho, mas se tiver, espero que seja uma espécie de branco.
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